sexta-feira, 17 de julho de 2009

Mar bravio

Parte o homem do mar em busca do peixe
Galopa em seu barco domando as marolas
Singra altas ondas e deseja ir algures
Sabe onde encontrá-los, por isso vai

Atrás de si deixou casa, mulher e filho
Olhos atentos a serração distante
Corações confiantes na provisão passageira

De repente o dia vira noite
Negras nuvens sobem além horizonte
Mar agitado, ondas sempre rebeldes
Medo e angustia na casa de sapé

Parece que o mar não deseja o retorno
Se cansou de ouvir a alegria da chegada
Quer colher lágrimas a ofertar peixe

Na praia de areia alva como a neve
Espera o menino, a mulher e o cachorro
No mar as ondas não dão trégua
Raios e trovões brincam com a esperança

Os dias passam como o caracol dos raios
As noites são sempre longas e dolorosas
A rinha se agrava entre o homem e o mar

Já não a esperança entristece a mulher
Na praia só restou uma criança e nada mais
Ondas furiosas quebram por toda enseada
Espuma de violência deste grande mar

Horas e anos se passam à tormenta ainda vive
O menino agora é homem, pescador como o pai
Dança sobre as marolas, singra as altas ondas

Na praia, nova casa, mulher e filhos
Olhos fitos no horizonte, mar calmo e tranqüilo
Retorno seguro a enseada, peixes a negociar
O mar bravio de outrora agora se doa sem pesar.

Autor: Jerônimo Viana de M. Alves.
Natal 17/07/09

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente o texto e ajude-nos a aperfeiçoá-los.