"E,
ouvindo isso, um dos que estavam com ele à mesa disse-lhe: 'Bem-aventurado o
que comer pão no Reino de Deus!
- Esse comentário representa pura fuga da
realidade social.
- Nos versos 12 e 14, Jesus tinha confrontado
a etiqueta social da época.ç
- Ele disse: "Não
convide seus amigos ou vizinhos ricos que podem te retribuir; convide os
pobres, os aleijados e os cegos". Polêmico.
Ele estava confrontando o(a):
- orgulho;
- exclusivismo;
- busca por status imediato.
- Aqui
estão os motivos pelos quais essa frase pode ser interpretada como fuga
ou uma espiritualização defensiva.
a) Desvio do constrangimento ético
- Jesus propôs algo
extremamente prático e socialmente desconfortável.
- Ao exclamar:
"Bem-aventurado o que comer pão no Reino de Deus!", o homem desloca o foco
do dever presente (ajudar aos necessitados agora) para uma recompensa futura
(o banquete celestial).
- É bem mais fácil
admirar a glória futura do que praticar a hospitalidade radical no
presente.
b) Presunção de pertencimento
- Para aquele seleto
grupo de fariseus e doutores da lei, a entrada no céu era vista como
garantida para eles.
- Ele se auto
justificava, bem como a seu grupo.
- Cristo, no entanto,
estava questionando justamente o caráter de quem entraria.
c) A resposta de Jesus foi a parábola da grande ceia.
- Note, irmãos, que Jesus
não diz "amém" à frase do homem. Ele contou a parábola da
Grande Ceia.
Obs. 1 Observem, irmãos: os convidados foram
excluídos (v. 24); no entanto, acreditavam que seu destino era o céu.
Porque eu vos
digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.
Lucas 14:24
Obs. 2 Esta festa não
poderia ser adiada, nem seria realizada sem convidados, pois o
Senhor que a promovia queria desfrutar a sua graça e misericórdia com todos que
assim participassem. Sua casa deveria estar cheia (v. 22).
Obs. 3
- Não existem insubstituíveis
no Reino de Deus (Doutores da Lei e fariseus – Lc 14.1).
- O critério para estar nesta festa era aceitar o
convite humildemente.
- Entender a importância do mesmo e quem estava
convidando.
- A recusa, seja por
qual natureza, será sempre entendida como uma afronta ao anfitrião.
- Ele não se
importa com o nível social, as condições intelectuais ou qualquer outro
modelo terreno de valor.
I.
A razão do convite (Lc 14:15-17)
¹⁵ E, ouvindo
isto, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado o que comer
pão no reino de Deus. ¹⁶ Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande
ceia, e convidou a muitos. ¹⁷ E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos
convidados: Vinde, que já tudo está preparado. Lucas 14:15-17
- Dado cultural:
- É sabido historicamente que, em se tratando de
festa no Oriente, era comum enviar o convite em duas etapas:
- a) Um convite provisório e
preparatório;
- b) O convite definitivo —
quando tudo estivesse pronto.
A razão disso é para que o
anfitrião tivesse uma previsão do número de pessoas na festa e os
convivas organizassem a sua agenda. Daí, todos ficavam à espera do segundo
convite.
- A grande festa tinha um objetivo: "para que a minha casa fique cheia"
(v. 23).
- Ao narrar esta
parábola, a aplicação era direta para os seus ouvintes. E eles
entendiam. Lembre-se de que Cristo estava
na casa de um dos principais fariseus
(Lucas 14:1).
- Esses homens eram estudados na Palavra.
- Como de costume,
já estavam comprometidos com o anfitrião e já haviam recebido o convite de
confirmação: "Venham, porque tudo já
está preparado" (Lucas 14:17).
- A questão agora é se estariam presentes ou não.
Obs. 4
- Um
dos que estavam presentes à mesa ou entendeu bem a colocação de Jesus e
desejou mudar o rumo da conversa, ou, por acreditar que o
convite tinha algo a ver com o futuro, afirma: "Bem-aventurado
aquele que comer pão no Reino de Deus".
- Contudo,
o convite era para agora.
Vejamos alguns aspectos deste
chamado:
1.a – Preparou e deixou tudo pronto.
- A expectativa
do anfitrião era a plena aceitação dos seus convidados à festa.
- A Grande Ceia se refere à chegada do Reino no ministério de Jesus.
- Ele é quem nos dá,
no presente, uma prévia da alegre comunhão com Deus, mas que será
realizada em sua plenitude na era vindoura.
- Tudo estava pronto
da parte do anfitrião [Deus]. A bíblia afirma que tudo que Cristo fez foi
muito bem.
"Ficavam
muito admirados, dizendo: 'Tudo ele tem feito muito bem'." (Mc 7:37)
1.b – Acompanhou tudo (Lc 14:21)
- O anfitrião não
era um tirano que dava ordens e ficava fiscalizando tudo a fim
de punir os que falhavam em sua tarefa.
- Fez tudo, deu tudo
e se envolveu com os convidados.
- Temos aqui até o envolvimento
emocional, visto que ficou irado com os que fizeram pouco caso
do seu convite (v. 24).
- O sacrifício de
Deus enviando Jesus Cristo para morrer por nós e livrar-nos da ira
vindoura é imensurável.
- Já pensaram:
- Parte da divindade
deixa o céu;
- Encarna como homem
— nível inferior à divindade;
- Se sacrifica numa
cruz — esforço total, entrega total;
- Resultado: muitos
dirão não a todo esse amor e trabalho divino.
- A razão da ira
divina é esta.
- O que faltou ou
falta Jesus fazer para que os homens aceitem o seu convite?
I.
As desculpas ao convite (Lc 14:18-20)
¹⁸ E todos à
uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei
um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado. ¹⁹ E outro
disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me
hajas por escusado. ²⁰ E outro disse: Casei-me com minha esposa, e
portanto não posso ir.
- Não havia espaço para desculpas, já que haviam
aceitado anteriormente o primeiro convite, demonstrando a sua
disposição de estarem presentes à festa.
- Desta forma, a ira do anfitrião era justificável.
As desculpas:
2.a - "Comprei
um campo e preciso ir vê-lo" (14:18)
- Aspecto material:
·
Quem compraria uma propriedade às cegas
(apartamento etc.) sem ver a planta?
·
Não teria outro dia para vê-la?
·
O consumismo presente aqui tem a força de
afastar o homem de Deus.
·
São muitas as razões que nos afastam de Deus (a
tecnologia deveria nos dar mais tempo para o serviço de Deus, mas tem o efeito
contrário, nos fazendo relaxar).
2.b - “Comprei
cinco juntas de bois e vou experimentá-las"
- Os bois aqui são
mais importantes do que Deus.
- O desfrutar do
"aqui e agora" é mais forte do que a expectativa do
futuro com Deus.
- A festa é vista
como perda de tempo e dinheiro.
Obs. 5:
Perda de tempo e dinheiro.
- Esta é a
constatação mais pesada e grosseira na relação Deus-homem.
- A companhia divina
exige leveza de coração e alma.
- É prazerosa e deve
ser vivida na sua totalidade, sem pressa e sobressaltos.
- Portanto, alegar
perda de tempo e de dinheiro (indiretamente) é negar toda essa relação
prazerosa com Deus.
2.c - "Casei-me
e, por isso, não posso ir." (Lucas 14:20)
- Aspecto emocional:
- Lembrem-se do
convite anterior.
- Além disso,
poderia levar a esposa à festa ou dar uma satisfação.
Obs.:
As velhas e boas desculpas domésticas ou, quem sabe, algo relacionado ao
campo emocional (gostos pessoais) que nos afastam de Deus (time,
partido, lazer etc.).
II.
A extensão do convite aos de fora (Lc 14:21-22)
²¹ E, voltando aquele servo, anunciou
estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu
servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e
aleijados, e mancos e cegos. ²² E disse o servo: Senhor, feito está como
mandaste; e ainda há lugar. Lucas 14:21,22
·
A parábola é sobre a graça de Deus.
·
É incrível a forma como a graça é revelada aos
seus contemporâneos.
·
Na condição de Igreja, devemos estar munidos
deste amor que Deus tem para aqueles que ainda estão de fora da festa
(pecador).
·
Evangelização é a resposta que Deus espera de
todos os seus filhos.
·
"Venham, que
está pronto." Esse deve ser o nosso apelo a todos, não
importando o que podemos ouvir como resposta dos que rejeitam ir à festa. Contudo,
faça a tua parte.
Conclusão
Ainda há
lugar - Familiares, vizinhos, amigos, colegas de trabalho, marginalizados
sociais. Todos são alvos do amor e compaixão de Deus.
Deus
seja com todos

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