"A isto ele respondeu: 'Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, com todas as suas forças e todo o seu entendimento'; e: 'Ame o seu próximo como você ama a si mesmo'." (Lc 10:27)
Introdução
- A
parábola do Bom Samaritano está registrada exclusivamente em Lucas
10:25-37.
- Representa
um embate intelectual e espiritual que estava acontecendo no momento.
- O
texto bíblico nos chama a atenção para o valor de relacionar-se com as
pessoas ao nosso redor, especialmente as que passam por dificuldades.
- Uma
observação: Esse texto não está ensinando sobre a doutrina da salvação
(Lc 10:25), visto que a Bíblia é clara.
No livro de Efésios 2:8-9, diz que somos salvos pela graça
de Deus e não pelas obras:
"Porque pela graça vocês
são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não de
obras, para que ninguém se glorie." (Ef 2:8-9)
- Mas,
responder ao mestre da lei: quem é o meu próximo?
I. O meu próximo é uma pessoa sujeita a lutas
- Esta
parábola é um exemplo de como os "sábios e instruídos" (v. 21)
não compreendem os mais simples mandamentos da Escritura (v. 27 – Lv
19:18).
- Quando
provocado por Cristo para expor a essência da sua fé, que estava
nos mandamentos do Senhor, ele respondeu adequadamente citando o Shema:
"Ouve, Israel, o Senhor
nosso Deus é o único Senhor."
E Levítico 19:18
"Não procure vingança, nem
guarde ira contra os filhos do seu povo, mas ame o seu próximo como você ama a
si mesmo. Eu sou o Senhor."
- Em
outras palavras:
"Ame o Senhor, teu Deus, de
todo o seu coração, de toda a sua alma, com todas as suas forças e todo o seu
entendimento; e: ame o seu próximo como você ama a si mesmo." (Lc 10:27)
- Qual
foi a resposta de Cristo?
"Você respondeu corretamente. Faça isto e você
viverá."
- Por
um lado, o mestre da Lei teve seu ego satisfeito com a concordância
de Cristo; por outro, não alcançou seu objetivo, que era conduzir
Cristo a um erro doutrinário ou qualquer outro vacilo.
- Desmascará-lo
diante do povo, ridicularizá-lo e, desta forma, destruir todo o Evangelho.
Aqui temos um ponto essencial:
a. Todos os mestres e doutores da
lei que enfrentaram Cristo em busca deste mesmo objetivo eram gente
intelectualmente forte e insistente.
b. Significa que nosso inimigo
não brinca quando o assunto é confrontar a nossa fé.
Daí a advertência do Evangelho quando afirma que:
- Devemos estar preparados para responder às razões
da nossa fé (1 Pe 3:15). E também:
- Quando questionados por autoridades (religiosas ou
seculares), o Espírito Santo de Deus nos capacitará no que devemos dizer
(Lucas 12:11-12; Mt 10:19-20; Lucas 21:14-15).
Continuando com nosso texto
- No
verso 29, o intérprete da lei, tentando se justificar, visto que
não praticava o que sabia que deveria fazer, mas se omitia.
O interprete da lei pergunta a Cristo:
·
Quem é o meu próximo?
ü Essa
pergunta revela a insinceridade do intérprete da lei.
ü Nela
existe uma clara intenção de impor limites ao amor ao próximo.
ü Quem
deveria ser alvo do meu amor?
ü Quem
poderia ser alvo dos meus cuidados?
A revista faz três ponderações acerca deste próximo:
- Meu
próximo é uma pessoa – "certo homem" (Lucas 10:30).
- O
próximo é gente, independentemente dos nossos gostos pessoais.
- É
um dado real do qual não podemos fugir.
- É a régua que demonstra nosso amor a Deus. Como
assim? a. Se não amamos aqueles que vemos (próximo); b. Como poderemos
amar a Deus, que não vemos? (1 Jo 4:20)
"Se
alguém disser: 'Amo a Deus', mas odiar o seu irmão, esse é mentiroso. Pois quem
não ama o seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. E o mandamento
que dele temos é este: quem ama a Deus, que ame também o seu irmão."
- Meu
próximo é uma pessoa inserida no tempo e no espaço – "descia
de Jerusalém para Jericó..." (v. 30)
- O
próximo, que é humano, é encontrado em nossa história e em nossa
geografia.
- Ele
caminha conosco, sente e faz.
- A
estrada de Jerusalém para Jericó era um caminho de 29 km, extremamente
íngreme e perigosa, conhecida como o "caminho de sangue" devido
aos assaltos em suas curvas fechadas e nas cavernas comuns na região.
- É
nesse cenário que todos caminhamos [mundo].
- Enquanto
o intérprete da lei falava de vida eterna (porvir), Cristo chama a
atenção para o dia a dia. A estratégia do intérprete da lei era jogar
a conversa para um futuro para não se comprometer com o hoje.
- Meu
próximo é uma pessoa sujeita a lutas – "...e veio a cair em mãos de
salteadores" (Lucas 10:30).
- Todos somos passíveis de sofrimento.
- É razoável pensar que não de forma constante, mas
pontualmente passamos por aperto.
- Cristo nunca prometeu uma vida de facilidades, mas
sim uma jornada de propósito em meio à resistência.
- Lembre-se:
- O
servo não é maior que o seu senhor - "Tereis aflições, mas tende bom
ânimo, eu venci o mundo." (Jo 16:33)
- Que
a mensagem do Evangelho confronta o mundo, o que gera uma reação natural
de rejeição (Jo 15:18; 16:2).
- Que
por causa do Evangelho laços familiares seriam quebrados (Mt 10:35-36;
10:21).
- Que
para ser seu discípulo deveríamos a cada dia levar a nossa cruz (Lucas
9:23).
Em fim:
- O
mundo nos odeia porque odiou a Cristo.
- O
sofrimento serve como testemunho para as nações e autoridades.
- A
perseverança em meio à prova produz uma recompensa eterna.
- "Eis
que estou convosco todos os dias." — Mateus 28:20
- É
importante saber que é neste contexto de luta que é revelado quem é o
meu próximo, da mesma forma que revelou quem era o próximo do
intérprete da lei.
II. O meu próximo precisa ser percebido por mim
- Percepção
requer aproximação.
- O distanciamento de religiosos em relação aos que
sofrem é denunciado de modo determinado por Cristo.
- Os
personagens:
a) Sacerdote e Levita:
·
Representam a pureza ritual judaica; daí, não
poderem tocar em um cadáver, pois ficariam impuros e não poderiam exercer suas
atividades no templo. Por isso, passaram ao largo (vs. 31-32).
·
Uma realidade: pessoas orientadas por tarefas
e posições podem se ocupar de tal maneira que passam a evitar o
que lhes tire o foco.
- Eles
priorizaram a regra religiosa em vez da misericórdia.
- Quem
ama a Deus acima de todas as coisas "passa perto" (Lc 10:33),
porque ama também o próximo.
2. Percepção requer visão e consciência
- Essa
percepção das coisas estava em Cristo, nosso modelo de vida e propósito.
a) Quanto às multidões:
"Ao ver as multidões, Jesus se compadeceu delas, porque
estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor." (Mt 9:36)
b) Quanto ao indivíduo:
"E Jesus, olhando para ele com amor, disse: 'Só uma
coisa falta a você: vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres e você
terá um tesouro no céu; depois, venha e siga-me'."
- Para
aprender a olhar, precisamos de desprendimento, coragem e amor.
- O
egoísta só vê a si próprio.
- Ser
sensível ao sofrimento do nosso próximo nos leva a agir.
- Ver
a necessidade do próximo e agir em seu favor requer amar, se
comprometer, seguir o exemplo de Cristo.
3. Percepção requer compaixão
- A
violência sofrida por aquele homem foi objeto de dor e sofrimento.
- Ao
mesmo tempo, foi alvo de amor, refrigério, cuidado e compaixão.
- Todo
esse cuidado vindo da parte de um desconhecido.
Observação:
ü
É uma verdade que Deus usa esses momentos em
nossa vida para nos abençoar pelas mãos de terceiros. (33)
ü
Ele mobiliza recursos da sua graça e
misericórdia para aplacar a nossa dor.
ü
É também verdade que usa esses momentos para
revelar o caráter daqueles que estão ao nosso redor.
Aplicação
- Devemos
clamar a Deus para ver de modo semelhante a Cristo.
III. O meu próximo precisa de ações práticas e eficazes
- Uma
ação que pode ser praticada por qualquer pessoa, e a qualquer pessoa.
- É
interessante notar a escolha do samaritano como herói desta história. Por
quê?
a. Judeus e samaritanos se
detestavam mutuamente;
b. Tinham profundas diferenças
teológicas e históricas;
c. Para o público de Jesus,
o herói ser um samaritano era um insulto ou um choque absoluto.
- A
condição do samaritano como herói é um alerta de que todos nós,
indistintamente da nossa condição, podemos ser bênção na vida de uma
pessoa.
- Observem,
irmãos, que não há julgamento sobre o merecimento ou não da boa ação do
samaritano por parte da vítima.
- Apenas
se viu a necessidade e agiu (afinal, ele era um judeu, inimigo do
seu benfeitor).
2. Uma ação que exige envolvimento pessoal em todos os
níveis
- Uma
ação bondosa não pode ser apenas superficial. Aquele homem necessitava:
a. Era um problema para o sacerdote, que não podia ser
tocado ou tocar em um pecador, especialmente se parecia estar morto.
b. Já o samaritano:
- Toca;
- Trata
suas feridas;
- Coloca
em seu próprio animal;
- Usa
seus recursos financeiros em favor do desconhecido;
- Trata
como próximo.
Obs: Enquanto olharmos
apenas para o nosso próprio bem-estar e recursos pessoais, teremos
dificuldades para agir como o samaritano apresentado pelo Senhor Jesus.
Conclusão
O mundo, que jaz no maligno, é campo aberto para o nosso
testemunho.
Que Deus nos faça consciente da necessidade de testemunho da
sua igreja. Em nome de Jesus Cristo. Amém.



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