quarta-feira, 3 de junho de 2026

O Administrador Infiel


Lucas 16:1-13

Mt 10:16

"Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas" — Mt 10:16

Introdução

  • À primeira vista, o que parece esta parábola?

    • a. Exaltação à malandragem?
    • b. Um chamado à prudência?

I. Contexto Cultural

  • A Galileia e a Judeia do 1º século eram uma comunidade rural (ou era uma região de comunidade rural). Nesta época, os grandes proprietários muitas vezes moravam longe, em grandes centros urbanos, e deixavam suas propriedades rurais nas mãos de um administrador (feitor ou mordomo).

 

  • O administrador tinha total autonomia jurídica para:

a. Vender a colheita (azeite e trigo)

b. Fazer empréstimos e fechar contratos;

c. Cobrar juros (embutidos no valor do no contrato para burlar as leis religiosas) que eram proibidos pela lei judaica.

 

·        É neste contexto que o patrão descobre que o administrador está gerindo mal seus bens e decide demiti-lo.

    • Público-alvo — Discípulos e Fariseus
    • No versículo 1, o texto diz que Jesus dirigia-se aos seus discípulos.

 

·        No capítulo 15, Jesus estava defendendo sua associação com pecadores e publicanos diante dos fariseus, contando as parábolas da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho pródigo.

·        No capítulo 16, a conversa se dá no mesmo ambiente, mas o foco muda para os discípulos; porém, os fariseus continuavam por perto ouvindo tudo. (v. 14 – Os fariseus, que eram avarentos, ouviram todas essas coisas e zombavam dele).

 

    • A mensagem, neste caso, é um alerta duplo:

a) Ensina os discípulos;

b) Confronta a ganância dos líderes religiosos.

 

II. O Ensino da Parábola

  • Os personagens da parábola não representam figuras fixas como Deus ou o Diabo, o que é um erro comum de interpretação.
  • Eles representam dinâmicas e atitudes humanas diante da vida e dos bens materiais.

 

a. O Homem Rico

  • Ele é um grande proprietário de terra que vive distante de suas propriedades e descobre que está sendo lesado.

O que representa:

  • Na maioria das parábolas, o homem rico seria a representação de Deus, mas aqui representa autoridades e poderes deste mundo.
  • O papel do patrão na mensagem é mostrar que as estruturas humanas de poder mudam rapidamente. Quando ele elogia o administrador, ele personifica a lógica do mundo:

 

a.        o reconhecimento da astúcia e da capacidade de sobrevivência.

b.        Se for traçada uma analogia com Deus, ele representa o veredicto final: a soberania que avalia como os homens administram o que foi deixado sob os seus cuidados.

b. Administrador

  • É o funcionário de confiança que detém a procuração e o controle total dos negócios do patrão.
  • Ele é acusado de desperdiçar os bens e não de ter roubado.

 

O que representa

  • Ele representa a humanidade em sua condição terrena e transitória.
  • Ele nos lembra que ninguém é dono definitivo de nada deste mundo; somos apenas administradores temporários de recursos (tempo, vida, dinheiro, talentos) que pertencem a outro.

 

O papel dele na mensagem

  • Representa a sagacidade diante da crise.
  • É alguém que, percebendo que seu futuro está ameaçado, age usando o de que dispõe para garantir sua sobrevivência.

 

Cristo quer ensinar:

  • Jesus usa essa imagem como uma provocação aos cristãos para que usem sua inteligência para garantir seu futuro eterno, usando os bens materiais para fazer o bem e criar laços eternos.

 

c. Devedores — comerciantes locais ou parceiros agrícolas

  • Deviam grandes somas de mercadorias (azeite e trigo) ao homem rico.

O que representa

  • Eles representam o próximo, a comunidade e os necessitados.
  • Essas dívidas eram fardos pesadíssimos para as famílias locais, muitas vezes agravadas pela cobrança de juros abusivos.

 

O papel deles na mensagem:

  • Eles entram na história para mostrar como o dinheiro deve ser usado de forma inteligente.
  • Ao perdoar parte da dívida, o administrador compra a gratidão e a amizade deles.

 

a.        Para Jesus, os devedores representam as pessoas que devemos abençoar e acolher aqui na Terra por meio dos nossos recursos (físicos ou espirituais).

b.       O dinheiro deve ser transformado em relacionamentos, generosidade e alívio para o sofrimento alheio.

 

2.1 O Homem Rico e seu Administrador

"Então, chamando-o, lhe disse: 'Que é isto que ouço a seu respeito? Preste contas da sua administração, porque você não pode mais ser o meu administrador.'"

  • No verso 2, temos um quadro interessante:

a. O administrador é denunciado (o diabo é nosso acusador – Hebreus 12:2);

b. Ele não apresenta defesa diante da acusação (v. 3);

c. A cobrança do seu senhor e consequente demissão.

 

  • A cobrança é inerente a qualquer senhor; ela faz parte da vida material (trabalho, família) e espiritual (Deus).
  • Uma das ligações com o mundo espiritual é exatamente esta: "Me dê conta do que dispus para tu administrares" (dons, tempo, influência e posição, espaço físico).
  • O resultado de uma vida dupla é a reprovação.

 

Observações:

  • O administrador infiel arranja uma forma de lidar com as consequências dos seus atos; porém, não se arrepende, mantendo o devido afastamento do seu senhor.
  • Não se dispõe a pagar sua dívida, além de dar um segundo prejuízo ao seu senhor quando perdoa parte da dívida dos credores do seu senhor.
  • Isso lembra a solução para o fundo de pensão do RJ. Estão planejando que o horário

 

2.2. A Situação Triste do Administrador

"O administrador, então, se pôs a pensar: 'Que farei, agora que estou sendo demitido pelo meu patrão? Trabalhar na terra, não posso. De mendigar, tenho vergonha. Já sei o que vou fazer para que, quando for demitido, as pessoas me recebam em suas casas".

Os irmãos notaram um detalhe nesta conversa?

  • Interessante: ele não planejou nada quando estava na responsabilidade dos bens do seu senhor. Agora aparece com um plano (um ótimo plano para a situação que vivia) diante da sua crise pessoal.
  • Ele não se dispôs a negociar com seu patrão.
  • Tinha o ego inflamado:

 

a) Negação do trabalho braçal;

b) Negação de pedir esmola.

 

  • Ele não possuía nenhuma reserva para ampará-lo numa crise.
    • Estamos jogando fora toda e qualquer possibilidade de amparo ao ser descortês com os irmãos, autossuficiente.
  • Ele construiu a ladeira que o tirou de uma posição de poder (administrador) para a miséria social (mendicância).

2.3. Ensino Bíblico Contra a Prática de Juros

  • A proibição da cobrança de juros estava na lei mosaica – Êx 22:25; Lv 25:36; Dt 23:19.

"Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como um usurário; não lhe imporás usura." — Êx 22:25

  • Davi trata esta orientação com muita seriedade – Sl 15:1, 5.

"¹ Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? [...] ⁵ Aquele que não empresta com usura, nem recebe subornos contra o inocente; quem faz isto nunca será abalado." — Sl 15:1, 5

  • É provável que os devedores estivessem pagando juros embutidos, o que era um crime.

2.4. O Jeitinho do Administrador

  • Como naturalmente ocorria a cobrança de juros entre os judeus com o objetivo de descumprir a lei?

a. O administrador recebia os recursos devido ao seu senhor.

b. Retirava a parte do patrão e ficava com a resultante da cobrança dos juros.

 

  • A estratégia usada foi negociar em particular com cada devedor:

a. O primeiro devia 100 batos de azeite (um bato correspondia a 30 – 39 litros — um ano de trabalho = R$ 70 mil atualmente). Sua dívida foi reduzida pela metade.

b. O segundo devia cem coros de trigo (um coro entre 300 e 420 litros — meio ano de trabalho = R$ 20 a 40 mil). Era um valor considerável, visto que era capaz de garantir o pão de uma comunidade inteira por um ano; contudo, pagou 80.

Obs.: É aceito pelos estudiosos que o mau administrador retirou os juros embutidos, ou seja, seu ganho pessoal.

  • Com essa ação, o administrador comprou seus futuros amigos.
  • Ele teria pessoas que estariam dispostas a socorrê-lo quando desempregado.

 

Verso 8

"Aquele senhor elogiou o administrador injusto por ter procedido com astúcia; pois os filhos deste mundo são mais astutos para com sua geração do que os filhos da luz." — Lucas 16:8

  • Com as notas promissórias originais destruídas, o senhor nada podia fazer para recuperar o dinheiro perdido.
  • Muito menos o valor original, com ou sem consentimento, embutia juros que ele estava proibido por lei de cobrar dos seus patrícios. "Infiel a Deus, infiel ao próximo".
  • O único consolo é que ele poderia adquirir a reputação de credor generoso.
  • O administrador infiel não informou aos devedores que era ele que agia por interesse próprio e deixava tudo na conta do patrão.
  • O administrador infiel é elogiado por sua astúcia e não por sua ética.

 

III. A Aplicação da Parábola (vs. 9-10)

  • Deus nunca disse que o dinheiro era mal, mas nos advertiu sobre o perigo do amor ao dinheiro. Ele aconselha a usá-lo bem (v. 9).
  • Advertência de Paulo a Timóteo:

 

"⁹ Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. ¹⁰ Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." — 1 Tm 6:9-10

  • Quantas vezes a injustiça não está aliada no uso das riquezas materiais?
  • O dinheiro pode ser usado para a glória de Deus; contudo, pode também corromper o nosso coração (querer sempre mais).
  • Nesta parábola somos ensinados a:

a. Ter responsabilidade social.

b. Ser bons mordomos (tempo e oportunidade, dinheiro e cuidado com o próximo).

c. Administrar os recursos e bens da melhor maneira possível para glorificar a Deus.

d. Saber que tudo pertence ao Senhor.

e. Que nossa fidelidade deve estar presente nas pequenas coisas e que só alcançaremos coisas maiores a partir delas (v. 10).

f. Não podemos servir a dois senhores.

 

Obs.: No verso 9, temos:

"Eu vos digo ainda: fazei amigos por meio das riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, eles vos recebam nos tabernáculos eternos."

  • Dificilmente qualquer coisa que temos ou venhamos a ter foge da classificação de "riqueza da injustiça", visto que tudo está manchado pelo pecado.
  • Os discípulos deveriam usar o dinheiro com sabedoria para fazer amigos:

a.        Ajudando os necessitados e acumulando tesouros no céu;

b.        Afinal, depois da morte os bens materiais não servem para mais nada.

 

IV. Desafio Final: Ninguém pode servir a dois senhores (16:13)

  • Devemos amar e servir a Deus (Mt 6:24).
  • O dinheiro deve ser usado na obra do Reino.
  • Nossos olhos devem estar fixos nos tesouros do céu.
  • Deus exige prioridade em nossa vida.
  • Por fim, a generosidade é uma prova de colocar nosso coração em Deus e não nas riquezas. E, neste caso, um insulto a Satanás e ao materialismo que domina este mundo (Pv 3:27; At 2:44-47).

 

Deus nos abençoe.

 

domingo, 10 de maio de 2026

A Grande Ceia - Lucas 14:15-24

EBD - 10.05.26
A Grande Ceia


Contexto

"E, ouvindo isso, um dos que estavam com ele à mesa disse-lhe: 'Bem-aventurado o que comer pão no Reino de Deus!

 

  • Esse comentário representa pura fuga da realidade social.
  • Nos versos 12 e 14, Jesus tinha confrontado a etiqueta social da época.ç
  • Ele disse: "Não convide seus amigos ou vizinhos ricos que podem te retribuir; convide os pobres, os aleijados e os cegos". Polêmico.

 

Ele estava confrontando o(a):

  1. orgulho;
  2. exclusivismo;
  3. busca por status imediato.

 

  • Aqui estão os motivos pelos quais essa frase pode ser interpretada como fuga ou uma espiritualização defensiva.

a) Desvio do constrangimento ético

  • Jesus propôs algo extremamente prático e socialmente desconfortável.
  • Ao exclamar: "Bem-aventurado o que comer pão no Reino de Deus!", o homem desloca o foco do dever presente (ajudar aos necessitados agora) para uma recompensa futura (o banquete celestial).
  • É bem mais fácil admirar a glória futura do que praticar a hospitalidade radical no presente.

 

b) Presunção de pertencimento

  • Para aquele seleto grupo de fariseus e doutores da lei, a entrada no céu era vista como garantida para eles.
  • Ele se auto justificava, bem como a seu grupo.
  • Cristo, no entanto, estava questionando justamente o caráter de quem entraria.

 

c) A resposta de Jesus foi a parábola da grande ceia.

  • Note, irmãos, que Jesus não diz "amém" à frase do homem. Ele contou a parábola da Grande Ceia.

 

Obs. 1 Observem, irmãos: os convidados foram excluídos (v. 24); no entanto, acreditavam que seu destino era o céu.

Porque eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia. Lucas 14:24

Obs. 2 Esta festa não poderia ser adiada, nem seria realizada sem convidados, pois o Senhor que a promovia queria desfrutar a sua graça e misericórdia com todos que assim participassem. Sua casa deveria estar cheia (v. 22).

Obs. 3

  • Não existem insubstituíveis no Reino de Deus (Doutores da Lei e fariseus – Lc 14.1).
  • O critério para estar nesta festa era aceitar o convite humildemente.
  • Entender a importância do mesmo e quem estava convidando.
  • A recusa, seja por qual natureza, será sempre entendida como uma afronta ao anfitrião.
  • Ele não se importa com o nível social, as condições intelectuais ou qualquer outro modelo terreno de valor.

 

I.                       A razão do convite (Lc 14:15-17)

¹⁵ E, ouvindo isto, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus. ¹⁶ Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos. ¹⁷ E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado. Lucas 14:15-17

  • Dado cultural:

 

  • É sabido historicamente que, em se tratando de festa no Oriente, era comum enviar o convite em duas etapas:

 

    • a) Um convite provisório e preparatório;
    • b) O convite definitivo — quando tudo estivesse pronto.

 

A razão disso é para que o anfitrião tivesse uma previsão do número de pessoas na festa e os convivas organizassem a sua agenda. Daí, todos ficavam à espera do segundo convite.

  • A grande festa tinha um objetivo: "para que a minha casa fique cheia" (v. 23).
  • Ao narrar esta parábola, a aplicação era direta para os seus ouvintes. E eles entendiam. Lembre-se de que Cristo estava na casa de um dos principais fariseus (Lucas 14:1).
  • Esses homens eram estudados na Palavra.
  • Como de costume, já estavam comprometidos com o anfitrião e já haviam recebido o convite de confirmação: "Venham, porque tudo já está preparado" (Lucas 14:17).
  • A questão agora é se estariam presentes ou não.

 

Obs. 4

  • Um dos que estavam presentes à mesa ou entendeu bem a colocação de Jesus e desejou mudar o rumo da conversa, ou, por acreditar que o convite tinha algo a ver com o futuro, afirma: "Bem-aventurado aquele que comer pão no Reino de Deus".
  • Contudo, o convite era para agora.

Vejamos alguns aspectos deste chamado:

1.a – Preparou e deixou tudo pronto.

  • A expectativa do anfitrião era a plena aceitação dos seus convidados à festa.
  • A Grande Ceia se refere à chegada do Reino no ministério de Jesus.
  • Ele é quem nos dá, no presente, uma prévia da alegre comunhão com Deus, mas que será realizada em sua plenitude na era vindoura.
  • Tudo estava pronto da parte do anfitrião [Deus]. A bíblia afirma que tudo que Cristo fez foi muito bem.

 

"Ficavam muito admirados, dizendo: 'Tudo ele tem feito muito bem'." (Mc 7:37)

1.b – Acompanhou tudo (Lc 14:21)

  • O anfitrião não era um tirano que dava ordens e ficava fiscalizando tudo a fim de punir os que falhavam em sua tarefa.
  • Fez tudo, deu tudo e se envolveu com os convidados.
  • Temos aqui até o envolvimento emocional, visto que ficou irado com os que fizeram pouco caso do seu convite (v. 24).
  • O sacrifício de Deus enviando Jesus Cristo para morrer por nós e livrar-nos da ira vindoura é imensurável.

 

  • Já pensaram:
  • Parte da divindade deixa o céu;
  • Encarna como homem — nível inferior à divindade;
  • Se sacrifica numa cruz — esforço total, entrega total;
  • Resultado: muitos dirão não a todo esse amor e trabalho divino.
  • A razão da ira divina é esta.
  • O que faltou ou falta Jesus fazer para que os homens aceitem o seu convite?

 

I.                       As desculpas ao convite (Lc 14:18-20)

¹⁸ E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado. ¹⁹ E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado. ²⁰ E outro disse: Casei-me com minha esposa, e portanto não posso ir.

  • Não havia espaço para desculpas, já que haviam aceitado anteriormente o primeiro convite, demonstrando a sua disposição de estarem presentes à festa.
  • Desta forma, a ira do anfitrião era justificável.

As desculpas:

2.a - "Comprei um campo e preciso ir vê-lo" (14:18)

  • Aspecto material:

·        Quem compraria uma propriedade às cegas (apartamento etc.) sem ver a planta?

·        Não teria outro dia para vê-la?

·        O consumismo presente aqui tem a força de afastar o homem de Deus.

·        São muitas as razões que nos afastam de Deus (a tecnologia deveria nos dar mais tempo para o serviço de Deus, mas tem o efeito contrário, nos fazendo relaxar).

 

2.b - “Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las"

  • Os bois aqui são mais importantes do que Deus.
  • O desfrutar do "aqui e agora" é mais forte do que a expectativa do futuro com Deus.
  • A festa é vista como perda de tempo e dinheiro.

 

Obs. 5: Perda de tempo e dinheiro.

  • Esta é a constatação mais pesada e grosseira na relação Deus-homem.
  • A companhia divina exige leveza de coração e alma.
  • É prazerosa e deve ser vivida na sua totalidade, sem pressa e sobressaltos.
  • Portanto, alegar perda de tempo e de dinheiro (indiretamente) é negar toda essa relação prazerosa com Deus.

 

2.c - "Casei-me e, por isso, não posso ir." (Lucas 14:20)

  • Aspecto emocional:
    • Lembrem-se do convite anterior.
    • Além disso, poderia levar a esposa à festa ou dar uma satisfação.

 

Obs.: As velhas e boas desculpas domésticas ou, quem sabe, algo relacionado ao campo emocional (gostos pessoais) que nos afastam de Deus (time, partido, lazer etc.).

II.                    A extensão do convite aos de fora (Lc 14:21-22)

²¹ E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos. ²² E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda há lugar. Lucas 14:21,22

·        A parábola é sobre a graça de Deus.

·        É incrível a forma como a graça é revelada aos seus contemporâneos.

·        Na condição de Igreja, devemos estar munidos deste amor que Deus tem para aqueles que ainda estão de fora da festa (pecador).

·        Evangelização é a resposta que Deus espera de todos os seus filhos.

·        "Venham, que está pronto." Esse deve ser o nosso apelo a todos, não importando o que podemos ouvir como resposta dos que rejeitam ir à festa. Contudo, faça a tua parte.

 

Conclusão

Ainda há lugar - Familiares, vizinhos, amigos, colegas de trabalho, marginalizados sociais. Todos são alvos do amor e compaixão de Deus.

Deus seja com todos

quarta-feira, 29 de abril de 2026

As Dimensões do Amor de Cristo - Efésios 3:14-21

 


¹⁴ Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
¹⁵ Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, ¹⁶ Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior; ¹⁷ Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando enraizados e fundados em amor, ¹⁸ Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, ¹⁹ E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. ²⁰ Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, ²¹ A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.

 Introdução:

 a.       Este texto é uma "doxologia" (um hino de louvor) que revela o que devemos pedir uns pelos outros.

Contexto:

 b.      Contexto teológico – Ministério revelado – 1 e 2.

  •        Paulo explica que o plano de Deus [o “mistério”] era unir judeus e gentios em um só corpo através de Cristo [Ef 1.9-10].
  •         Em Ef 2.11,14-19, ele detalha como aconteceu  historicamente e espiritualmente a ação divina, Ele afirma taxativamente  que os efésios não são mais estrangeiros, mas membros da família de Deus.

 c.       O contexto pessoal: O Prisioneiro em oração – Capítulo 3.

 

“Por está razão, eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo...”

  •  No entanto, ele abre um parêntese para explicar seu ministério e só retorna o raciocínio no versículo 14.
  •  Ele está preso em Roma.
  • Apesar das algemas, sua preocupação não é sua liberdade, mas o fortalecimento espiritual dos leitores.

 1. A Postura da Oração (vv. 14-15)

¹⁴ Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,¹⁵ Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, 

  • Paulo começa dizendo: "Por esta razão, dobro os meus joelhos...".

a.       Lição: A oração exige humildade e reconhecimento da soberania de Deus - (Lucas 18:9-14).

b.       Ele é o "Pai de toda a família no céu e na terra", o que nos lembra que não oramos como indivíduos isolados, mas como parte de um corpo.

2. O Pedido Principal: Fortalecimento Interior (v. 16)

¹⁶ Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior;

  • O apóstolo não pede por bens materiais ou alívio de problemas externosmas para que os irmãos sejam fortalecidos com poder no homem interior.
  • No culto de oração, nosso primeiro clamor deve ser pelo vigor espiritual, para que o nosso "eu" mais profundo suporte as pressões do mundo.
Que pressões são estas?

  1. A Pressão do Moldamento (Conformidade) - A cobrança por sucesso financeiro a qualquer custo, a necessidade de aprovação social nas redes sociais e a ditadura da aparência.
  2.  A Pressão da Aflição (Circunstâncias) - Crises econômicas, doenças na família, desemprego ou perseguição por causa da fé. São situações que "apertam" o coração e tentam gerar desespero.
  3. A Pressão da Ideologia (Confusão Mental) - O medo de ser julgado por crer na Bíblia, a dúvida sobre o que é certo e errado, e o bombardeio de filosofias que excluem Deus.
  4. A Pressão do Imediatismo (Ansiedade) - A ansiedade pelo futuro, a sensação de que estamos "atrás" dos outros e a dificuldade de esperar o tempo de Deus. 

3. A Habitação de Cristo e o Alicerce (vv. 17-19)

¹⁷ Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando enraizados e fundados em amor, ¹⁸ Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, ¹⁹ E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

  • Aqui está o coração do texto. Paulo pede que:

  • Cristo habite nos corações pela fé: Não uma visita passageira, mas uma residência fixa.
  • Enraizamento e Alicerce: Ele usa metáforas da botânica e da engenharia para dizer que nossa vida deve estar fincada no Amor.
  • As Quatro Dimensões: Ele deseja que sejamos capazes de compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade desse amor.

Entendendo a expressão de Paulo:

  •       Ao usar termos geométricos para descrever algo espiritual, ele está tentando mostrar que o amor de Deus não é apenas um conceito abstrato, mas uma realidade que ocupa todo o "espaço" da existência humana.
 As Quatro Dimensões do Amor de Cristo

1. A Largura (Universalidade)

  • A largura refere-se à extensão do amor de Deus. Ele não é restrito a um povo, uma raça ou uma classe social.
  • O que significa: O amor de Deus é largo o suficiente para incluir "todo aquele que nele crê". Ele alcança as pessoas de todas as culturas, passados e pecados. Ninguém está "fora da margem" desse amor.

2. O Comprimento (Eternidade)

O comprimento fala da perseverança e da duração.

  • O que significa: É um amor que atravessa o tempo. Ele começou antes da fundação do mundo e se estende até a eternidade. Diferente do amor humano, que pode se cansar ou desistir, o comprimento do amor de Deus garante que Ele nos amará até o fim.

3. A Altura (Exaltação)

A altura aponta para o objetivo e a origem desse amor.

  • O que significa: Ele nos tira da nossa condição terrena e nos eleva para lugares celestiais. O amor de Deus não quer apenas nos perdoar, mas nos levar à presença da glória de Deus, elevando nosso caráter e nosso destino eterno.

4. A Profundidade (Humilhação e Resgate)

  • A profundidade mostra o alcance do sacrifício de Cristo. Não importa o quão baixo uma pessoa tenha caído, quão profundo seja o "abismo" do seu sofrimento ou pecado, o amor de Cristo desceu ainda mais baixo para buscá-la. Ele alcança as profundezas da alma e as situações mais sombrias da vida.

4. A Promessa da Superabundância (vv. 20-21)

O texto termina com uma das promessas mais encorajadoras da Bíblia:

“Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, ²¹ A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.”

 Conclusão para o Culto:

a.       Deus não está limitado pela nossa capacidade de pedir ou imaginar.

b.       A glória pertence a Ele, na Igreja e em Cristo Jesus. 

Deus seja conosco.

Estudo apresentado no culto de oração e doutrina da Igreja Batista do Alecrim no dia 29.04.26

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Reconhecendo o Messias: Fé vs. Tradição e Aparência.

 


Mensagem pregada no culto de oração da IBA em 22.04.26

João 7.1-31

O estudo de hoje está dividido em três partes:

a.       1 - O Tempo e a Soberania de Deus: A Família de Cristo.

b.       2 - A Rejeição no Templo: Tradição vs. Verdade

c.       3 - A Origem do Messias: Testemunho e Decisão.

 

1- O Tempo e a Soberania de Deus: A Família de Cristo – [Vs. 1-9]

  • A primeira parte deste texto trata-se da família de Cristo, destacando a incredulidade dos seus irmãos (v. 1-9).
  • Jesus se encontrava na Galileia e mantinha-se seguro por lá devido à disposição dos judeus em matá-lo (v. 1).
  • Não era medo, mas precaução (Prudência).

a. Às vezes queremos precipitar uma ação de Deus, e este não é o melhor caminho para a bênção. Deus tem o Seu próprio tempo (kairós).

b. Precipitar uma ação divina é querer forçar o Todo-Poderoso a agir, colocando o homem numa posição de controle que não existe. É o mesmo que tentar a Deus, e isso é pecado.

c. A resposta de Deus sempre partirá do elemento soberania.

  • No texto inicial temos os irmãos de Cristo querendo transformá-lo num pop star. Lógico que queriam tirar proveito da fama do irmão, mas não por acreditar em Sua doutrina.
  1. Era difícil demais para eles verem Jesus além de um irmão mais velho.
  2. Parece também que eram ingênuos quanto às ameaças reais que Jesus Cristo sofria.

No verso 3, quando pedem para Jesus os acompanhar até Jerusalém (Festa dos Tabernáculos), tinham todos os elementos citados acima (fama, poder, status).

"Porque, se alguém quer ser conhecido, não pode realizar os seus feitos em segredo. Já que Você faz essas coisas, manifeste-se ao mundo." (Jo 7:4)

Os feitos de Jesus Cristo não eram estranho a seus irmãos. Vejam:

  • No capítulo 2, temos o primeiro milagre de Cristo no casamento em Caná. No verso 12, está claro que toda a família de Cristo O acompanhava.
  • Um dado curioso: José não é citado, o que provavelmente é um indício da sua morte prematura. O que isso podia implicar? Se os seus irmãos não compreendiam ou criam na sua divindade, imagine se José estivesse vivo e compartilhasse do mesmo pensamento dos seus filhos. Seria sem dúvida um desgaste desnecessário para Jesus Cristo, afinal, o pai tem um peso considerável na cultura da época.  Assim, foi retirado antes do inicio do ministério de Jesus.
  • No capítulo 6, temos a multiplicação dos pães (Jo 6:1-15) e o andar sobre o mar (Jo 6:16-21). Não há dúvida que a família de Cristo tinha conhecimento de toda essa realidade, porém, não gerava fé (Jo 7:5). Em Marcos 3:21, chegam a tentar prendê-lo por acharem que estava fora de si. Neste caso demonstrando ceticismo e preocupação familiar.
  • É perceptível que a lógica de Cristo não era a mesma dos seus familiares. Apesar da falta de fé e incompreensão familiar, Cristo nunca os desamparou, assim como jamais deixou de cumprir a missão que Deus Pai O havia incumbido.

"Então Jesus lhes disse: 'O Meu tempo não chegou, mas para vocês qualquer tempo é oportuno. O mundo não pode odiar vocês, mas a Mim Ele odeia, porque eu dou testemunho a respeito dele, dizendo que as suas obras são más. Vão vocês para esta festa, Eu não vou, porque o Meu tempo ainda não se cumpriu'." (v. 6-8)

  • Uma lição que aprendo neste texto é que muitas vezes o que é familiar nos leva a uma atitude de relaxamento no trabalho do Reino.
  • Os irmãos de Cristo viam apenas como um irmão mais velho cheio de truques, e jamais como o Deus encarnado.
  • Essa realidade só chegou mais tarde para alguns deles (1Co 9:4-5).

"Será que nós não temos o direito de levar conosco uma mulher crente como esposa, como fazem os demais apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas? Ou somente eu e Barnabé temos que trabalhar para viver?" (1Co 9:4-5)

2A Rejeição no Templo: Tradição vs. Verdade – [Vs. 10-24]

Do versículo 10-35, temos Jesus participando das atividades ou festejos em Jerusalém.

  • A presença de Cristo era requerida naquele lugar (Jerusalém).
  • Os judeus O procuravam em todo o lugar (v. 11). A grande pergunta era: "Onde estará Ele?" Parecia pouco provável à multidão que Jesus não aparecesse na festa. 
  • Cristo era o assunto do dia. No verso 12, temos a informação que toda a gente murmurava acerca de Jesus. Uns diziam:

 

a. "Ele é bom" (v. 12)

b. "Ele é um enganador" (v. 12)

  • Quando se apresentou no templo e passou a ensinar, muitos se admiravam do Seu ensino.

"Como pode Ele ser letrado, se não chegou a estudar?"

Obs. Jesus ou Seus discípulos não tiveram nenhuma instrução rabínica (At 4:13), contudo, Seu ensino e Sua autoridade vinham de Deus.

Jo 7:16; 8:28

✓ Mt 5:21b

Mt 7:28-29

  • No verso 16, Cristo afirma que Seu ensino veio de Deus.
  • Não é uma invencionice pessoal.
  • Qualquer pessoa que desejasse fazer a vontade do Pai, necessariamente reconheceria que Seu ensino (doutrina) era verdadeiro, visto que, com zelo seguia as determinações do Pai.
  • Contudo, os judeus haviam recebido a Lei de Moisés e por não a cumprir, não conseguiam vê-lo como o Messias e, ao invés de ouvi-lo e preservá-lo, desejavam matá-lo (v. 19).

Lição – Quem não está em sintonia com Deus, quem não tem intimidade com o nosso Deus, jamais reconhecerá Seu Filho como Senhor e Salvador. Não terá prazer na Sua doutrina, no cuidado com a Sua casa, de forma que O repudiará.

  • No verso 20, temos acusações fortes contra Cristo.

"Você tem demônio. Quem é que está querendo matá-lo?"

  • Hipócritas!
  • Esse é apenas um dos vários casos em que Jesus é falsamente acusado de estar possuído por um demônio (Jo 8:48; 10:20; Mt 12:24).
  • Esse tipo de pecado não tem perdão - Mateus 12:31-32; Marcos 3:28-29; Lucas 12:10.
  • Acusação semelhante foi levantada contra João Batista (Mt 11:18).
  • Outras acusações falsas:
  1. Quebra do sábado – Jo 5:16,18; 9:16 b.
  2. Blasfêmia – 5:18; 8:59; 10:31,33,39; 19:7
  3. Enganar o povo – 7:12,47 d.
  4. Ser samaritano – 8:48.
  5. Ser louco – 10:20.
  6. Praticar atividades criminosas – 18:30.

"Você tem demônios" ou age por influência de demônio.

  • É muito provável que estivessem se referindo à cura praticada por Jesus no Tanque de Betesda (Jo 5:1-15) num sábado.
  • O argumento de Cristo: Não posso curar um homem em um sábado, mas vocês para cumprir a determinação de Moisés, circuncidam crianças até no sábado (tinha que circuncidar a criança no oitavo dia de nascida – Lv 12:3). Onde estava a justiça neste caso? (v. 24)

3. A Origem do Messias: Testemunho e Decisão – [Vs. 25-31]

·        Dos versos 25-31, temos a continuação das murmurações dos judeus.

Alguns de Jerusalém diziam: "Não é este o homem que estão querendo matar? Eis que Ele fala abertamente, e ninguém lhes diz nada. Será que as autoridades reconhecem de fato que este é o Cristo? Mas nós sabemos de onde este homem vem. Quando, porém, o Cristo vier, ninguém saberá de onde Ele é."

  • Muitos rabinos ensinaram ao povo que o Cristo seria um desconhecido até se levantar e salvar Israel. Contudo, outros tinham a certeza do seu local de nascimento (Jo 7.42; Mt 2.1-6).
  • No verso 28, Cristo declara:
"Vocês não somente Me conhecem, mas também sabem de onde Eu sou. Eu não vim porque Eu, de mim mesmo, O quisesse, mas Aquele que Me enviou é verdadeiro! Aquele a quem vocês não conhecem, Eu O conheço porque venho da parte d'Ele e Ele Me enviou."
  • A identidade divina de Cristo estava exposta aos olhos de todo o povo, Seus milagres davam prova da Sua missão.
  • No verso 31, temos que muitos creram em Seu nome e argumentavam: 
"Quando o Cristo vier, será que vai fazer maiores sinais do que este homem tem feito?"
  • Essa é uma palavra de fé. 

ü  O que é preciso fazer a mais para que as pessoas creiam que Jesus Cristo é o Senhor?

ü  Tudo que era possível e impossível de se fazer para provar a Sua divindade Ele fez.

  • E aí? Só corações sedentos de Deus e atentos ao Seu mover compreendem esta verdade e se rendem à Sua graça e poder.
  • Só Cristo pode nos levar seguros à presença do Deus criador.
  • Só por meio d'Ele somos livres da ira futura.
  • E você, o que está esperando para dar esse passo de fé e deixar o velho homem para trás e viver uma nova vida com Deus? Aceite-o!
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